Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Crianças sempre insatisfeitas, o que fazer?


No meu dia-a-dia não consigo ficar indiferente a algumas situações alimentares com que me deparo...uma delas, é a evidência de crianças sempre desconsoladas, insatisfeitas!Na minha opinião, presenciar crianças insatisfeitas é mais evidente após os 2 anos de idade, quando a criança já se torna mais selectiva, pretendendo afirmar-se também no seio familiar. E coloca a família num estado vulnerável capaz de desprezar todo o cuidado alimentar até então implementado! Por isso, evidenciam-se as birras alimentares, os pais renunciam aos horários e evitam a tormenta da refeição completa que a criança precisa. Mesmo! Porque está a crescer!

Verifico no quotidiano de algumas famílias, crianças que comem a toda a hora. E estão constantemente a pensar em comer. É importante sensibilizar os pais que são responsáveis pela alimentação destas crianças...

O assunto é delicado, e merece a máxima consideração, sobretudo quando vivemos numa época em que passamos muito tempo fora de casa, existe uma desajustada oferta alimentar, indisciplina para fazer refeições completas e para cumprir  difíceis horários... numa tentativa de cumprir escrupulosas obrigações profissionais...

O que pode ser feito?

Deixo aqui alguns pontos de reflexão esperando que  os pais possam interiorizar estas ideiais sobre alimentação, em casa, para seguir a partir de hoje...tomem nota:

1 - Cumprir horários para fazer as refeições. Todas as refeições. E de todos os membros da família: pequeno-almoço, meio da manhã, almoço, lanche, e eventual 2º lanche (caso o jantar seja tardio) e jantar.

2 - Não comer a meio das refeições. Criar disciplina no organismo. Iniciar uma digestão antes de outra, iniciada à pouco tempo e ainda não concluída, não é saudável e desregula o organismo. Acredito que esta situação possa contribuir também a longo prazo, para os casos de diabetes em resultado do "cansaço" do pâncreas, sempre a ser estimulado sobretudo se se trata da ingestão de alimentos ricos e açucar;

3 - Diminuir o consumo de alimentos ricos em açucar e gordura, de excelente "palatibilidade", o correntemente "sabem bem", muito ricos em calorias e que oferecem um prazer imediato mas que não promovem a saciedade do organismo. São as chamadas calorias vazias - satisfazem imediatamente mas sendo de rápida absorção despoletam rapidamente (e novamente) o mecanismo da fome;

4 - Fundamental enriquecer a refeição, em todos, e em especial nas crianças, com a sopa no início da refeição, veículo de água, fibra, vitaminas e sais minerais que irão favorecer o início da digestão e reduzir a ingestão de outros alimentos mais calóricos, no 2º prato;

5 - Diminuir a ingestão de líquidos durante as refeições, mesmo de água, que dilatam o estômago e provocam uma falsa sensação de saciedade, impedindo a ingestão de mais alimentos. Não tardarão uns 30 minutos para se sentir fome...ainda! Por isso, os líquidos devem ser ingeridos até 30 minutos antes das refeições e cerca de 2 horas depois, com generosidade. Os refrigerantes e sumos são bebidas totalmente desaconselhadas se demasiado açucaradas;

6 - Aumentar também a ingestão da proteína animal (peixe, carne, ovo) ou vegetal (leguminosas) e privilegiar o consumo de hidratos de carbono (arroz, batata, massa), estes nutrientes sim, os responsáveis por dar a saudável energia que o organismo requer. Claro está que "o que é demais é moléstia", e as proteínas gozam actualmente de má fama, principalmente na comunidade portuguesa, que adora comer bife com ovo, peixe com ovo... Proteínas sim, do tamanho da palma da mão e apenas uma fonte de proteína animal por refeição;

7 - Reduzir o consumo de alimentos muito ricos em sal que promovem o consumo de bebidas açucaradas, após a refeição, e contribuem não só para terríveis índices diários de ingestão de açucar como impossibilitam a adequada ingestão dos alimentos, realmente importantes!

8 - Promover o convivio social , é fundamental: que as refeições sejam momentos de convívio, de confraternização. Para que o ambiente vivido propicie a aplicação de todas as restantes leis...

Portanto, a ideia principal que gostaria de transmitir é a necessidade absoluta de prolongar os saudáveis hábitos alimentares implementados hoje, não só enquanto os filhotes são pequenos, mas para sempre, e para todos, combinado?

E agora eu pergunto...quem pode oferecer sugestões para abordar os pais destas crianças?
Fast food e as Crianças
A alimentação infantil do sec. XXI


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3 comentários:

  1. Olá!
    Gosto sempre muito do que leio aqui, mas desta vez parece que escreveu mesmo para mim.
    Sou uma daquelas pessoas que tem muito gosto em comer e a minha filha de 2 anos parece sair a mim.
    Mas os meus pais transmitiram-me uma educação alimentar que considero muito saudável e agora tento fazer o mesmo com a minha filha.
    Foi por isso muito reconfortante para mim ler este artigo e verificar que já sigo todas estas regras. Há mais uma outra regra que eu sigo: peço sempre o menu semanal na creche para que em casa as comidas não coincidam. Se ela almoçou batata e peixe, à noite dou-lhe arroz e carne, por exemplo. Até é uma boa forma de ter ideias para o jantar!
    O meu marido não teve tão bons hábitos alimentares em criança mas interessa-se muito em fazê-lo agora com a filha.
    Penso que é graças a estas nossas preocupações que ela tem crescido sempre com saúde, sem ser "esquisita" em relação às comidas (embora haja uma ou outra coisa que note que ela não gosta tanto). O que pretendemos com tudo isto não é necessariamente reduzir-lhe o apetite, mas apenas evitar os excessos, sem andar sempre a pedinchar comida mal vê alguém a comer - apenas por gula, não por apetite.
    Apesar destes cuidados (fará então se não os tivéssemos), por vezes acontece que ela já comeu o suficiente (duas conchas de sopa, segundo prato composto por mão cheia de uma só proteína e acompanhamento e depois uma peça de fruta) mas continua a pedir tudo o que vê. Pão, fruta, queijo, o que ela vê ela pede e se lhe derem ela come enquanto lhe derem. Eu e o meu marido chegamos a ter de esconder a comida ou acabar de comer às escondidas, porque não queremos que ela entre nesse comportamento. Até me sinto mal de dizer isto porque sei que há muitas mães que se queixam de os filhos fazerem birra porque não querem comer, mas a minha faz porque quer comer mais e mais e mais.
    Atenção, para que fique bem claro: eu adoro que a minha filha tenha prazer em comer, até porque me identifico muito com isso. Quando ela está a comer vê-se que está mesmo a apreciar, e é impossível não lhe achar graça. Mas quando sei que ela está saciada e que é mesmo só gula, tanto que se for distraída com outra coisa já nem quer mais a comida, a coisa muda de figura.
    Infelizmente, no dia a dia e especialmente nesses momentos, sou apelidada de rigorosa e de fundamentalista e de má, sobretudo eu porque tenho um papel mais ativo do que o meu marido visto que preparo a comida. Supostamente, estou a fazer a minha filha ficar "aguada", porque não lhe dou o que a "pobre coitada" quer, porque podia dar "só um bocadinho" e "só desta vez". Enfim, sou constantemente boicotada pelos avós paternos e bisavós e às vezes outras pessoas mais que estejam presentes. Pessoas que ainda acham que os miúdos querem-se é gordos, que me dizem que devo pôr maizena na sopa, empaturrar a minha filha de pão e bolachas entre as refeições, que não faz mal dar fritos e doces e adicionar sal e açúcar a tudo. Tenho a certeza que quando eu e o meu marido não estamos presentes lhe fazem essas vontades.
    É óbvio que existem exceções como dias de festa e também sei que chegará uma altura em que não teremos tanto controlo sobre a alimentação dela pois irá ter acesso a alimentos e hábitos que desaprovamos (já acontece um pouco na creche), mas a minha esperança é que por essa altura já tenha apreendido os valores que tentamos transmitir-lhe e saiba fazer as suas escolhas e distinguir entre um excesso ocasional e o dia a dia.
    É tão frustrante sentir que tudo à nossa volta está contra esta educação que estamos a tentar dar. Este artigo fez-me sentir que não sou paranóica e que faço bem em preservar. Às vezes faz-nos falta um selo de aprovação para ganharmos forças para nos abstrairmos dos palpites. Por isso, obrigada!

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  2. Olá Margarida :-)
    Obrigada pelas suas palavras e testemunho!
    É verdade, sim senhora, que a pressão extrínseca é enorme. Quase colocamos em dúvida quem terá razão: nós, mães equilibradas, ou todas as outras pessoas que acham que as crianças têm sempre muito apetite ou é preciso sempre fazer-lhes a vontade...porque estão a crescer?
    Que crianças serão estas no futuro?
    Gostei de sentir o seu equilíbrio! A sua filhota tem muita sorte, um dia ela reconhecerá isso :-)
    (li hoje num artigo cientifico que um novo indicador no combate da obesidade infantil é a força do elo pais-filhos, interessante...não?) O que significa que, se estivermos seguros, e transmitirmos esse bem-estar aos nosso filhos, é tudo muitoooo mais fácil. Boa?
    bjs Margarida. Benvinda ao BabySOL que retoma agora a sua atividade. Fique, pois, por perto :-) E divulgue!

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  3. Bom dia, Dra!
    O meu filho tem quase 10 meses e começou a rejeitar a sopa quando introduzi a fruta, por isso passei a pôr na ponta de cada colher de sopa 1 bocadinho de fruta e daí em diante, sempre comeu muito bem. A pediatra disse-me que tenho que habituá-lo a comer as duas coisas em separado. As refeições agora são um inferno e come menos de metade da sopa que comia. Quanto à fruta, come-a toda e mais que viesse! Tenho algumas dúvidas sobre esta situação: 1º insisto para que ele coma SEMPRE as 2 em separado ou, se ele não comer,volto ao método antigo ou a dar-lhe 1 colher de cada alternada? (penso que não mas...) 2ª quanto tempo é considerado "aceitável" para insistir na sopa? 45 minutos parece-me tempo demais...3º Se ele comer pouca sopa,aumento a quantidade de fruta no final da refeição? 4ª Como faço para contornar esta situação na creche (levo sempre as minhas sopas!) uma vez que as auxiliares têm compreensivelmente menos tempo e disponibilidade para lidar com esta situação?

    Obrigada pelos seus conselhos, Dra. Adoro o seu blog que consulto com muita regularidade!

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