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sábado, 31 de outubro de 2009

O meu filho não gosta...?


Atrevo-me hoje, correndo o risco de arruinar as cerca de 900 subscrições da newsletter BabySOL® que orgulhosamente exibo no topo deste Blog, e falar-vos de outro tema polémico, inerente à alimentação dos filhotes e digno de ser explorado num único artigo.

No decorrer do meu desempenho profissional, no apoio técnico em Nutrição Infantil às Mães, constato numa preocupante fatia, a passiva atitude de progenitoras em não enfrentar, e ultrapassar (!), a resistência que os bebés evidenciam ao longo do seu processo de aprendizagem alimentar. Quero com isto dizer que em determinado momento da vida da criança, e incidindo sobre a introdução de um alimento novo na sua dieta, acontece um processo normal de recusa infantil, o qual deveria ser estrategicamente contornado, o que nem sempre acontece...
Esta situação assume um considerável, e negativo, impacto sobretudo junto de Bebés com idades inferiores a 18 meses e no seguimento da intensa diversificação alimentar a que são sujeitos nestes primeiros meses de vida. Ora, o que se passa, é que a criança, em pleno estágio de adaptação sensorial reage mal, contrariando a ingestão de um alimento oferecido e a mãe, ou outra pessoa que o ofereça, cede favoravelmente mas evita voltar a fazê-lo dias mais tarde, temendo um agravamento no processo, quase sempre doloroso, que estas resistências implicam na hora da refeição.
O resultado é a passiva atitude da mamã que afirma, e aceita, a situação "O meu filho não come isto, ou não come aquilo" e a carência nutricional, e sensorial, que a criança em aprendizagem alimentar, não promove. Este facto é tanto mais grave quanto mais a mamã inconscientemente resiste e prolonga esta acção no tempo.
O processo não é fácil, eu sei. E por experiência própria garanto-vos que sei! O meu Gabriel, agora com 4 anos, evidenciou, na sua abençoada normalidade, o processo de recusa alimentar perante alguns alimentos. Afinal, faz parte do processo, mamãs! É normal e faz parte da aprendizagem alimentar! Reparem, são tantas as sensações alimentares que vivem durante os primeiros anos de vida que é esperado que nem sempre reajam positivamente... Além disso, aspectos comportamentais inerentes à sua envolvência psicológica também o induzem a resistir, por vezes, numa tentativa de se afirmar e valorizar a sua posição no seio familiar.
Vejamos pois alguns aspectos que contribuem para a resistência alimentar do Bebé:
O alimento: não gosta, pronto! Também tem direito. Mas não quer dizer com isso que deve privar a criança da ingestão deste alimento, comprometendo de modo vitalício a sua diversificação alimentar... Pelo menos até ter a certeza disso: mas será mesmo o alimento novo, ou a forma como foi cozinhado, ou está com sono ou mal disposto? Vale pois a pena, mamãs, tirar a prova e fazer nova exposição, noutra abordagem culinária, até noutro ambiente, dias mais tarde, sim?
A etapa de vida da criança: este aspecto é primordial. Enquanto que no início da diversificação alimentar a resistência pode ser devida à imaturidade sensorial, meses mais tarde tal atitude pode revelar-se uma estratégia psicológica para contrariar a progenitora, afirmando-se assim. É pois, de todo importante, que a mamã não ofereça resistência, em qualquer dos casos, para não demonstrar ao Bebé que está a conseguir monopolizar a situação. Deve pois contornar sabiamente os papéis que o pequeno gourmet protagoniza...
A aprendizagem sensorial: outra questão que vale a pena reflectir... Reparem: fala-se de um alimento rejeitado mas fica a pergunta: será que foi no contexto gastronómico que foi apresentado? Será que o Bebé aprecia a conjugação Bróculo+cenoura, por exemplo? Será que, muito importante, no patamar sensorial em que se encontra a criança, está já receptivo a aceitar o paladar que o bróculo oferece, ou a sua conjugação, ou ainda não? Esta situação é individual e distinta em cada criança, afinal a alimentação da mamã durante a gravidez, e na amamentação, já condicionaram, este processo.
A personalidade/ritmo da mãmã: pois é minhas amigas, ou inimigas, agora? Por muito que lhe custe aceitar, é verdade que este facto condiciona, e muito, a dinâmica que a diversificação alimentar infantil exige. Basta pensar, simplesmente, se a mamã é activa na cozinha e astuta para oferecer novas estratégias culinárias, ou simplesmente porque até tem um ritmo profissional cansativo que a desgasta e corrompe a sua motivação pessoal neste domínio...
Vale pois a pena reflectir sobre estas questões, implementá-las, num período de tempo estabelecido e se, vencidas estas 4 regras, o Bebé não ceder...então, façamos-lhe a vontade: não gosta, não gosta...! Mas, não desista, nunca! Estimule sempre a exposição do alimento rejeitado nas refeições que apresenta à mesa... Quem sabe, um dia, induzido pelo exemplo familiar, a criança resolve evidenciar-se e mostrar que ... agora até já gosta? Mas deixo-lhe a regra de ouro: ceda nessa refeição, mas apenas nessa, sim?
E agora a minha sentença: amigas?


Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação

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Receitas para o Bebé

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